Thursday, October 13, 2005

o adeus.

É vendo a chuva correr em disparada de nuvens que não sabem para ondevão, através de uma vidraça, de um lugar qualquer, que chego aacreditar, que a realidade simplesmente esqueceu de acontecer. E meafundo cada vez mais nesta película de horrores, que passa eternamenteem velhas paredes, tão riscadas e estéreis, quanto este amontoado depeles, que me envolve os ossos - habitat perpétuo da melancolia.Este filme maldito que insiste em passar, vez por outra retrocede,pára em cenas impossíveis de serem recuperadas. É aí que os olhos sefecham, os lábios tremem e não há força que consiga conter aslágrimas...Se segundos deixei de pensar em ti, tenha certeza que foram instantes que morri.E não há mais dia, noites, madrugadas. Não há flores, somente lágrimas.Diz-me que te vais, mas sinto como se já tivesses ido.São cortes abruptos em meio às cenas que jamais serão reprisadas.São inícios sem começo, palavras que nunca foram ditasVerdades contadas pela imaginação, desejo e solidão.É a voracidade do tempo que me engole sem mastigar.São olhares seqüestrados, completa ilusão.É o álcool que me adormece, a fumaça que me esconde.Incertezas de uma farsa que se acaba, de uma história mal contada.É deixar-se enganar para não morrer, quando tudo que se quer é deixar de viver.É a certeza de que se tem somente os restos de um todo que não é nada.É o medo que deflagra a incompreensão.E, no caminho sempre solitário: nem mais um olhar, palavra, esperança, nada.

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