Monday, February 13, 2006

Lábios sequiosos.

Anseio por dias cinzas, para me perder ou quem sabe até me encontrar
Assim, meia nuvem, jogo de esconde-esconde
Quando o ar parece pesar mais sobre os ombros, que arqueados com o peso da melancolia nem sentem mais. Segue-se em frente. A ruga da testa se desfaz, pois o sol hoje não a interroga nem tenta descobrir os pensamentos.
As estradas parecem se movimentar, não são as mesmas de ontem. E, têm-se a certeza que se voltar por este mesmo caminho estarão diferentes.
Olha-se à volta e nada parece real. Dos olhos dos que cruzam pelo caminho, lampejos de fogo. Andam como zumbis, mas certamente têm rumo certo e alguém que os espera, com sorrisos, braços abertos lábios sequiosos, que tão logo estarão umedecidos por cálidos beijos.
E, o desejoso dia segue, esconde o azul enjoativo e tão igual do céu, permitindo que se respire um pouco mais. Penso na chuva, ouço buzinas, nem um trovão, nem sorrisos, nada. Somente folhas pela calçada e pés inertes, sem destino, seguindo as curvas incertas
a vagar pelas ruas, agora desertas.

Monday, February 06, 2006

urubu volta a sobrevoar presa, agora "indefesa".

A língua passeia tranquila pode dentro da boca, em velocidade mínima. Um contraponto direto a velocidade dos pensamentos.
Agora, a aridez se faz completa, a transpiração é espontânea. E a ameaça chega em vôo noturno, farejando a presa. E, eu assisto a tudo de longe. Ao que me parece não te incomodas com tão presença, que para mim é somente funesta. Te calas, pelo menos eu não o ouço. Tento te falar, mas a língua trava e não sai de dentro de minha boca trêmula.
Eu não sei como se conheceram, mas andeis descobrindo o tórrido caso que a solidão vive como desespero. Não mais como esconder, estão sempre junto, cada vez mais unidos. Têm como grande amiga a melancolia, que frequentemente os visita. Para quem não sabe, há pouco tempo a solidão e o desespero tiveram um filha, que cresce e se agiganta a cada dia: a dor. Todo moram em um prédio sob a tutela de uma síndica que intervém na vida de todos: a incompreensão.
E, aqui estou: me recolhendo à minha real insignificância, o porão do qual jamais deveria ter tentado sair.
Está doendo...
muito...

Sunday, January 01, 2006

Thursday, October 13, 2005

o adeus.

É vendo a chuva correr em disparada de nuvens que não sabem para ondevão, através de uma vidraça, de um lugar qualquer, que chego aacreditar, que a realidade simplesmente esqueceu de acontecer. E meafundo cada vez mais nesta película de horrores, que passa eternamenteem velhas paredes, tão riscadas e estéreis, quanto este amontoado depeles, que me envolve os ossos - habitat perpétuo da melancolia.Este filme maldito que insiste em passar, vez por outra retrocede,pára em cenas impossíveis de serem recuperadas. É aí que os olhos sefecham, os lábios tremem e não há força que consiga conter aslágrimas...Se segundos deixei de pensar em ti, tenha certeza que foram instantes que morri.E não há mais dia, noites, madrugadas. Não há flores, somente lágrimas.Diz-me que te vais, mas sinto como se já tivesses ido.São cortes abruptos em meio às cenas que jamais serão reprisadas.São inícios sem começo, palavras que nunca foram ditasVerdades contadas pela imaginação, desejo e solidão.É a voracidade do tempo que me engole sem mastigar.São olhares seqüestrados, completa ilusão.É o álcool que me adormece, a fumaça que me esconde.Incertezas de uma farsa que se acaba, de uma história mal contada.É deixar-se enganar para não morrer, quando tudo que se quer é deixar de viver.É a certeza de que se tem somente os restos de um todo que não é nada.É o medo que deflagra a incompreensão.E, no caminho sempre solitário: nem mais um olhar, palavra, esperança, nada.

Tuesday, October 11, 2005

liberdade?

"dragão tattoado no braço e no coração... eterno flerte, adoro ver-te..."

Thursday, September 22, 2005

aniversário, não o meu.

Que Balzac te receba de braços abertos em prosa, verso e poesia.
Desejar-te felicidade hoje, seria lugar comum demais. Te desejo mais certezas, mais verdades, mais criatividade, realizações e maturidade. A felicidade? Esta chega como quem não quer nada e para ela não há tempo, nem dia, muito menos datas e horários marcados. Esteja sempre pronto para recebê-la, pois uma vez bem tratada ela sempre volta.

Aproveite bem o dia que o destino marcou para ser teu.

OBS.: realmente feridas se fecham e pesadelos se vão. HAHAHAHAHAHHAHAHAHA!

Dúvidas.



Se vez por outra te faz vento, o que te dizem as folhas secas
O que te diz o verme que devora a carne exposta entre o limo
e o estéril tronco da laranjeira?
O que te diz o solitário e distante uivo do lobo em agonia,
Os espinhos que te atravessam a pele e a sede por cálidos lábios?

Thursday, April 14, 2005

Não me arrependo.

Escorada no ombro sempre convidativo da garrafa, descansei minha fronte. À ela revelei alguns desejos e sem que eu pedisse, me aconselhou. Fui em direção ao inesperado e o improvável aconteceu. Hoje depois de tentar arrancar todo o sentimento de culpa através de vômitos desenfreado, trago o corpo doído, a alma dilacerada, a dor da perda e de palavras que poderiam um dia a serem palavras amigas, mas não me arrependo...

É assim: sem arrependimentos, apesar da dor no estômago que sem dúvida, é maior em função da cachaça, que inicio este blog.
Sem culpas e vamos adiante...